Revolta

A morte dela foi bastante significativa para mim. Eu dividia a minha vida entre antes e depois desse acontecimento. Comecei a ver tudo diferente - as coisas como elas realmente são. Percebi a sujeira por detrás da beleza. Eu tinha apenas nove anos quando mamãe morreu.

Ela sempre fora muito fraca e adoentada, faleceu cedo. Foi enterrada no campo mais verde, bonito e sem fim que eu já vi. Um lugar pacífico como aquele era o mínimo que ela merecia. Após esse acontecimento, meu pai se preocupou de vez com a minha educação. Vivia dizendo que, como único herdeiro dos negócios e riqueza da família, eu deveria ser muito bem instruído. Teimou que o melhor para mim era estudar na Europa.

Foi ridículo.
Ele realmente achava que podia me controlar.

Todo aquele papo de negócios e dinheiro... Ele não se importava comigo, na realidade. Ainda se atreveu a falar mal de minha mãe, chamando a critatura mais gentil desse mundo de "vadia" e "pobretona", nas palavras dele. Meti-lhe um soco, o que não foi uma atitude muito esperta, eu sei, mas não pude evitar. Saí correndo e fugi para um apartamento que pertencia ao meu pai, onde morava o meu avô paterno, que se encontrava no exterior.

Era um apartamento lindo e com vista para o mar. Eu adorava aquele lugar. Como não havia ninguém morando ali, resolvi mudar-me para lá. Somente nos dias em que meu pai estava em casa é que eu voltava - eu tinha de obedecer, por mais raiva que eu tivesse dele. Faltavam poucos meses para que eu completasse a maioridade e esse pesadelo enfim acabasse. Quando meu aniversário chegasse, eu teria acesso à herança e poderia fazer o que bem entendesse.

Não era por ganância ou egoísmo.
Eu tinha uma jovem garota para cuidar.